Vico resolve fazer coisas e acredita no saudosismo e no valor do passado. Por isso vai juntar coisinhas aqui.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
sábado, 3 de julho de 2010
Rússia: um destino surpreendente
A decisão de fazer um intercâmbio
Exige-se do homem, hoje em dia, uma visão cada vez mais pluricultural. Hábitos de viagem nos levam à busca por conhecer melhor o mundo e nossas habilidades de adaptação a outros ambientes. Apesar de não concordar muito com essa política que tem tornado experiências no
Descobri na AIESEC a oportunidade de realizar um sonho pessoal, conhecer a Rússia, e aprimorar minhas qualidades acadêmicas no ensino de língua inglesa. No final de 2008, me senti pronto para encarar essa jornada, formado em Letras pela UFJF e com apoio dos amigos e suporte da família.
Voltei certo de que viajei no momento mais adequado. Foi uma mudança completa de rumo: saí da vertente acadêmica e me desafiei ao empreendedorismo. Hoje, um ano depois, digo que valeu a pena cada medo que eu enfrentei e toda insegurança que superei.
A escolha da Rússia como destino
Sempre quis conhecer a Rússia por dois de seus atrativos: arquitetura e história. Mas, após decidir fazer um intercâmbio pela AIESEC, houve um longo processo de procura por vagas para mim. Eram muitas possibilidades em diversos países, uma vez que eu era um dos poucos candidatos do programa Teaching to Learn disponíveis na época. Fui selecionado para estagiar durante três meses no Centro de Educação Intensiva B.IQ., na cidade de Ufa, capital da República do Bascortostão, nos Montes Urais, parte europeia da Federação Russa. Dar aula de inglês apresentando a cultura brasileira foi uma combinação muito atraente. Igualmente, a oferta de acomodação, alimentação e transporte, bem como um salário, além do carinho no trato por parte da @ UFA me fizeram viajar confiante de que teria uma experiência muito positiva.
Diferenças culturais entre Brasil e Rússia
O que exige muita adaptação é o clima. Mesmo no final da primavera, fazia -20ºC. Chegou o verão e, por conta da estrutura própria para suportar o longo inverno, faz um calor muito abafado. A arquitetura, as comidas, os cheiros… é tudo muito diferente do que estamos
O trânsito – que admite dois paradigmas do motorista, já que o mercado local importa automóveis com volantes à esquerda e à direita – era muito confuso e eu me sentia inseguro andando de carro. Os ônibus têm um sistema de nomes para cada estação, sem roleta e com pagamento feito direto ao motorista na saída. Ou seja, difícil para quem está acostumado a puxar a cordinha.
Na região em que morei, as religiões predominantes são o catolicismo ortodoxo e o islamismo, ambas consideravelmente diferentes do que se vê costumeiramente no Brasil, principalmente no que diz respeito ao comportamento das mulheres – há uma grande valorização do casamento e rigorosas críticas sexistas.
O fim da União Soviética ainda é recente e o histórico político e social dos russos os tornou um povo alegre, porém desconfiado e temente a novas revoluções. Sexo é um dos maiores tabus – eles acreditam que não há gays lá, por exemplo.
Sair de casa e olhar para os outdoors, placas, propagandas e não entender nada é muito desconfortável – aprender o idioma é um desafio, primeiramente, por conta do alfabeto cirílico, mas também por conta da gramática russa, que faz uso de um sistema de declinações que modificam até nomes próprios, dependendo do contexto. Mas quis interpretar tudo de uma forma positiva e gostei de viver nos padrões russos durante esses três meses.
O impacto do intercâmbio na vida profissional
Fui em busca de crescimento profissional, que era a minha prioridade no momento. Muito se fala em pós-graduação, mestrado e doutorado. Vejo as pessoas muito preocupadas em entenderem como o homem funciona, mas poucas sabem entender como conviver junto aos homens. Sempre achei a Rússia muito diferente do Brasil. Ao mesmo tempo, o bloco BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) aponta para as nossas semelhanças. Fui atrás de informações sobre a visão de mundo deles. Provou-se muito diferente por várias experiências que vivi.
Nesse tempo, trabalhei com uma metodologia muito interessante, eficiente para o ensino de inglês e diferente de tudo com o que já havia trabalhado e estudado no Brasil. Como minha maior experiência no Brasil foi com um grande público popular e menos favorecido economicamente, trabalhar com grandes empresários me exigiu muitos esforços dos quais não lançara mão até então. Foi um choque grande e positivo.
O maior e mais inesperado ganho foi ter sido desafiado a trazer o Centro de Educação Intensiva para o Brasil. Hoje sou dono do meu próprio empreendimento, fruto da minha experiência na AIESEC e valiosa aliança entre mim e meus amigos e parceiros profissionais russos.
O desafio com o idioma russo
A influência da cultura de países de língua inglesa é menor na Rússia do que no Brasil. Entretando, eles têm mais contato com diferentes línguas do que nós aqui – a região onde morei tem dois idiomas oficiais e muitos têm o alemão como língua estrangeira preferida. Principalmente por isso (mas também por questões fonológicas), os russos têm mais traquejo para lidar com outros idiomas. Entretanto, foi a metodologia da escola em que trabalhei que possibilitou minha comunicação com os alunos, sem que eu soubesse russo ou eles português. Antes de cada aula, eu preparava diálogos com uma estrutura específica, com a qual os alunos já tinham familiaridade. Além disso, expressões corporais também fazem parte da comunicação e o professor de língua estrangeira que toma consciência disso consegue desenvolver um trabalho muito mais eficiente.
Uma experiência de liderança
FOTO Com Natalia "Natasha" Anatolyevna, my Russian Boss.
Natasha, a minha diretora, é uma mulher muito inteligente, criativa e cheia de gás para por suas ideias em prática, sempre com muita garra para alcançar suas metas. Ela me incentivava a todo momento. Ela tem a cara da AIESEC e, assim, alinhada com os interesse organização, ela é capaz de enxergar o potencial de cada um dos aiesecos que ela recebe. Ela enxergou o meu melhor e explorou isso, porque sabia que o lucro seria para ela também, com alunos satisfeitos e, consequentemente, mais clientes e mais lucros. Foi então que, depois de muitos elogios meus ao material, ela me intimou a passar de professor de inglês a businessman.
O impacto do intercâmbio no desenvolvimento pessoal
Morar em uma cidade estranha, longe de toda sua história, família, amigos, cultura e etc., te leva, antes de mais nada, a seguir instintos. Porém, racionalizar a situação só é possível se você a
prende a controlá-los. E foi assim, negociando entre minhas raízes e minha adaptabilidade, que achei o meio termo ideal para me sentir à vontade e me manter de coração e mente abertos durante a minha viagem.FOTO "Global Village", evento da AIESEC Ufa.
Longe do Brasil, me senti brasileiro, com minhas preferências, hábitos e jeito de pensar diferentes daqueles dos russos. Mais que isso, me senti cidadão do mundo, presente em um país tão distante, conseguindo me comunicar em inglês, capaz de arranhar no russo e me dando tão bem com as pessoas. Falando do meu país e aprendendo tanto sobre outro me levou a me entender como apenas uma grande peça nesse grande quebra-cabeça que é o mundo. Com paciência, tudo se encaixa, redondinho.
http://www.aiesec.org.br/site/escritorio/juizdefora/russia-um-destino-surpreendente/
segunda-feira, 8 de março de 2010
Anant Palawat - Unusually Smart
“Every morning in Africa, a Gazelle wakes up. It knows it must run faster than the fastest lion or it will be killed. Every morning a Lion wakes up. It knows it must outrun the slowest Gazelle or it will starve to death. It doesn't matter whether you are a Lion or a Gazelle... when the sun comes up, you'd better be running.”
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Sandra e Rússia - Grandes Fêmeas
Entendam como melhor lhes soar.
Sandra, 30.09.09
"Oi, Vinicius, Bebê!
Como é que está sua vida profissional, acadêmica, e afins? (Risos...)
[...]
Me lembro muito de vc, mas não soube dos impactos da viagem na sua vida, na sua mentalidade, enfim... Gostaria de saber mais detalhes, já que o acontecimento do ano passado foi mesmo essa sua experiência abroad.
Torço para que esteja bem e feliz."
Vinícius, 02.10.09
"Já que puxou a língua, vou contar um pouquinho. Quando vc sentir-se meio entediada, leia a minha jornada europeia! (Rs)
Como prefácio, vc já conhece minha epopeia universitária, na saga "Vinícius contra o Exército Frustrado da FaLe UFJF", né? O maior impacto da viagem foi, sem dúvida, o resgate da minha auto-estima e a valorização dos meus potenciais como profissional.
Cheguei a Moscou depois de mais de 15 horas de voo (fora o intervalo no gigante Charles de Gaulle, em Paris). Um frio ferrado, 20 graus... negativos! E eu com meu moletonzinho brasileiro, arranhando um russo macarrônico para perguntar se o ônibus já estava chegando... Cheguei vivo a Ufa (cidade onde trabalhei). O pessoal da AIESEC me recebeu com balões, muitos abraços e já fui me esquentando de tesão pq estava no país dos meus sonhos!
Trabalhava de 10 às 22 horas, numa atmosfera positiva, alegre, que instigava a produtividade com prazer. Minha diretora acabou se tornando uma grande amiga e - como digo de vc, minha mãe e mais alguns raros talentos humanos - uma musa inspiradora!
[...]
Morei com 3 famílias diferentes. Uma em cada mês. Nas fotos tem uma minha com a Galina Nicolayevna, minha "babooshka" ("avó", em russo). Mas como ela não via problema em ter ratos (!) na cozinha, mesmo sendo uma velhinha muito simpática (o que presumo, pois ela não falava inglês e a comunicação entre nós era pura mímica e dicionário russo!), parti para a casa da Natasha, minha diretora. Lá, sua filhinha Masha, de 7 anos, me ensinou um pouco mais do idioma louco. (Depois descobri que ela não articula o "l" direito e que aprendi um monte de coisa errada! Hahaha.)
Com Galina Nicolayevna, minha babooshka.
Os hábitos sociais russos são tão diferentes dos brasileiros... Viva a nossa higiene, nossos barezinhos ao céu aberto, nossas mulheres cujo sonho não é mais se casar a qualquer custo, nossa miscigenação que é vista com orgulho... As história e cultura russas pouco cruzam as brasileiras. E de fato pouco se parecem. Mas sobre isso eu falo muito mais numa entrevista que dei ao site da AIESEC. Se quiser ler (talvez seja mais interessante que este e-mail!): http://www.aiesec.org.br/site/escritorio/juizdefora/de-volta-da-russia-vinicius-conta-tudo-sobre-seu-intercambio-pela-aiesec/
Com os AIESECers de Ufa.
Para não delongar demais, conto que fui a um lugarzinho muito especial, chamado Inzer. Lá, vi um aglomerado de borboletas que mexeu muito comigo (tbm tem foto em anexo). Eu estava no meio dos Montes Urais, a divisa entre Europa e Ásia... No mínimo exótico. Entre um chá e outro (juro que não tinha nada de Daime o otras cositas más), um shaman começou a bater um tambor tibetano, tocar umas gaita que soava eletrônica mas não tinha tomada... sei que vi a alma de um gato branco (whatever it was, that's the best description I've figured so far). Não fiquei assustado, mas acho que assustam (e riem) qdo conto. Mas gosto de registrar. Foi tudo mto inusitado... E mexeu com meus paradigmas.
A Praça Vermelha e seu famigerado "castelinho" - a Catedral de São Basílio.
Depois do gozo de ir a Moscou, passei em Paris antes de voltar ao Brasil. Foi surpreendente! Não achei que ia curtir mas, claro, a-m-e-i. É toda uma energia, um cheiro de cultura. Mtas fotos, museus, cartões postais e algumas amizades internacionais!
[...]
Agora, a parte que considero mais importante deste e-mail (e vc pensa "ai, meu Deus, lá vem!"). Acredito que me deparei com um grande desafio por conta dessa viagem. No melhor dos sentidos. A dona do curso gostou muito de mim. Até imaginei que ela quisesse estender o contrato... (rs), mas não. Ela quer que eu abra o "Intensive Education Center" aqui. De tanto que falei que a metodologia é interessante e que os resultados são mto positivos (...so on and so forth). E estou com todo o material aqui, pronto para de fato abrir a escola. Minha vida pessoal deu uma reviravolta louca.
[...]
Não desisti dos interesses acadêmicos, de continuar estudando mto e cursar bons mestrado e doutorado. Mas eu acredito mto no projeto do curso de inglês. Só sei que, entre tantos pensamentos, pensei sempre em dividir isso com vc e pedir sua sincera opinião.
Depois de longas linhas, despeço-me com carinho!
Espero que vc continue com esse sorrisão, essa coisa carioca que vc mede bem e com que encanta a todos. Mas pode aproveitar a tomada de turno pra extravagâncias suas tbm! Hehehe."
Sandra, 05.10.09
"Vinicius, amore!
O sorrisão não saiu um minuto do meu rosto enquanto lia seu email, com a descrição da sua viagem e todas as intervenções que fez, o que me fez quase "viajar junto". (Risos...)
O que me deixou mais feliz, contudo, não foi o fato de ficar sabendo das aventuras sociais, ou emociais, mas, sim das profissionais mesmo (rsssss)... Que alegria te ver crescendo – nos dois sentidos da palavra (risos) – e fazendo projetos ousados, como só vc sabe ser! O que tem IQ como parte do nome de um curso já nasceu inteligente, ousado e de ponta (rsssss).
Sim. Poderá incluir-me em qualquer coisa que fizer nesse campo profissional, de abrir negócio, etc.: primeiramente como tiete, depois, como tutora, mentora, ou algo parecido...
Mas, o que me deixa feliz mesmo é ver vc superando tudo o que aquelas antas da UFJF fizeram injustamente com vc. Comigo, não foi diferente, e eu quero que eles se comam todos, e se envenenem com seu próprio veneno. Na UFF, a coisa não parece diferente, mas eu já estou fazendo xixi em todos os cantos de todas as salas pra demarcar meu território. Infelizmente, as pessoas entendem que educação e cortesia são sinônimos de submissão e permissividade. Uma coisa eu aprendo cada vez mais na vida: nunca farão com vc aquilo que vc não deixar que elas façam!
Adorei a descrição da experiência mística nos Montes Urais. As montanhas são lugares energeticamente privilegiados, sabia? Não é à toa que os monges costumam ficar longas horas meditando nesses lugares mais altos... Vou ver as fotos e entrar no site...
Abraços saudosos e torcendo por vc sempre."
Sandra, 06.10.09
"Eu, de novo!
Achei lindonas as fotos. Assim, tomei a liberdade de pegar aquela das butterflies e fazer meu papel de parede. Pode, né ? (Rssssss.)
Beijos saudosos."
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Так Же, Как Все
Алла Пугачёва
Так Же, Как Все
Кто, не знаю, распускает слухи зря,
Что живу я без печали и забот,
Что на свете всех удачливее я,
И всегда, и во всём мне везёт.
Припев:
Так же как все, как все, как все
Я по земле хожу, хожу.
И у судьбы как все, как все
Счастья себе прошу.
(Да да да да...)
Счастья себе прошу.
Вы не верьте, что живу я, как в раю,
И обходит стороной меня беда.
Точно так же я под вечер устаю,
И грущу, и реву иногда.
Припев
Жизнь меня порой колотит и трясёт,
Но от бед известно средство мне одно.
В горький час, когда смертельно не везёт,
Говорю, что везёт, всё равно.
Припев
(Tradução minha)
Mas Como Todo Mundo
Não sei quem espalhou por aí
Que vivo sem tristezas ou preocupações
Que sou o mais sortudo no mundo
E que sempre me dou bem em tudo
Refrão:
Mas assim como todo mundo, como todo mundo, como tudo
Levo a minha vida do meu jeito
E, assim como todo mundo, peço ao destino
Um pouco de felicidade em troca
(Da-da, da-da...)
Peço felicidade
Não acredite que eu vivo no paraíso
E que problemas não me atingem
Quando cai a tarde eu também me sinto cansado
E também fico triste e choro às vezes
Refrão
Às vezes a vida me balança e me derruba
Mas aprendi com os momentos difíceis
Quando não se sai bem de maus momentos
Sei que todos estamos sujeitos a isso
Refrão
A versão do grupo A Studio é muito bacana, vale conferir:
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Prefácio da Volta à Órbita
O tempo passa cada vez mais rápido e não vou me preocupar em fazê-lo. Prefiro vivê-lo.
terça-feira, 31 de março de 2009
Saudade I. E permitam-me divagar.
Parto para brotar meus grãos brasileiros na tímida primavera russa. Levarei postais do Rio de Janeiro, da praia de Geribá em Búzios, do centro de São Paulo e, claro, de umas aspirantes a atrações juizforanas. E a pinga de Mar de Espanha cuja importação Mutuca se eriçou em patentear. Dvd's do que creio não ser o que se ouve com facilidade sobre o rock brasilista. Livros com as lendas da Amazônia, bronzes cariocas e fumaça paulista, além de receitas temperadas e bem humoradas dos nossos nordeste, sudeste e sul. Levo também meu wayfare azul, Alfiya (uma das minhas buddies) quer emprestado para pelo menos uma foto. Eu prometi me render aos seus lenços - diz ela que é questão de saber dar o nó.
Falando em Rússia, já se sabe que lá é primavera. Com seus altíssimos cinco graus po-si-ti-vos, seu troco a minha chorosa família, que amarga minha ilustre ausência, é, pois, o outono. (Tentei deixar clara a inversão de papéis das estações.) E no outono, as folhas caem. Para novas vidas surgirem.
Eu insisto em interpretar essa fase como o outono brasileiro e a primavera russa. Não tiram isso da minha cabeça por nada. Então tentarei enfiar essa ideia (a única nova regra ortográfica que sei até agora) na cabeça dos corações mais saudosos.
Quero que minha ida à primavera russa seja demorada e excitante como esperar uma orquídea que nunca se vê brotar. E que durante esse outono no Brasil, ao olharem as folhas caindo das árvores, vocês sintam a efemeridade da vida e acreditem que tão rápido como a folha atingiu o chão eu voltarei.
E quando eu voltar, ao passo que a folha seca atinge o chão, uma nova configuração estará instalada. Um Vico revigorado, certamente reafirmando o amor que une sua família e gastando o estoque de lágrimas - mas deixando um pouco para setembro, no Encontro dos Brunner & Lopes. O Vico que voltar da Rússia, espera-se, terá conhecido lugares, pessoas e culturas que trazem, além do contato com a diversidade, a responsabilidade de multiplicá-las (bem como o sábio traquejo diante delas) por cá.
O Vico que vai quer que a primavera russa seja gostosa como as 22 brasileiras que já viveu. E o Vico que voltar quer que a primavera brasilera supere as realizações que ele foi buscar nas terras do Medmedev.
E o Vico também vai tentar contar história do verão em Paris. Torçam para que essa empreitada renda pelo menos boas fotos!

(Muito sono simultâneo à insônia decorrente da ansiedade que traz pensar que daqui algumas horas estarei no Charles de Gaulle, depois em Sheremetyevo e finalmente em Ufa. Perdoem os erros, mas não deixem de apontá-los. Obrigado!)
Choque Cultural II
Mas tenho observações merecidamente registráveis. Sabe quando você junta toda a sua força corporal e foca no movimento que mais representa a indiferenca? Isso mesmo, mover levemente sua sobrancelha (uma só) para cima. A senhora, aproximando-se da casa dos 60, creio eu (já levando em consideração tudo que aprendi sobre plástica com a Cher), se expressou raramente assim: movendo sua sobrancelha (esquerda, sempre) para cima.
Deve ter se achado muito simpática. A despedida:
Ela (pois é, nem um craxá para contar história) me entregou o passaporte fechadinho.
Abri, vi o visto.
Depois do gozo interno devidamente contido: "Tudo certo?"
Sobrancelhas ao seu norte: "Sim, boa viagem."
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Para Treinar Russo
Meu professor de russo me sugeriu praticar com um clipe. Cover russo do Carrapicho. Sim! Bate forte o tambor, eu quero ver o tic-tic-tic, tá? Gostei tanto que perdi o link. Um amigo me enviou esse link
As meninas do Tutsi (a pronúncia aportuguesada) são chatinhas, mas são bonitas e articulam bem os fonemas. Gostei por questões meramente científicas.
A única música que me agradou até agora foi essa:
Ainda não sei o que é o nome da banda, o que é o nome da música. "/
E encontrei a letra de "Чашка Каппучино" depois de muito custo!
Тутси
"Чашка капучино"
Снова я в кафе сижу
Ты вне зоны, а я жду
Где же ты опять - молчишь
Ничего не говоришь
Сто причина найдёшь всегда
Пробки, дождь и духота
Не пришёл, а я ждала
И опять одна
Чашка капучино на-на-на
Лучшая причина на-на-на
Лишняя причина е-е-е
Встретиться с тобой наедине
Чашка капучино на-на-на
Лучшая причина на-на-на
Сладкая причина ой-ой-ой
Встретиться с тобой
Кофе стынет на столе
Вижу силуэт в окне
За стеклом стоишь, звонишь
И со мною говоришь
В стужу, снегопад, жару
Я тобой одним живу
Ты вошёл и я прошу
Будь со мной всегда
Чашка капучино на-на-на
Лучшая причина на-на-на
Лишняя причина е-е-е
Встретиться с тобой наедине
Чашка капучино на-на-на
Лучшая причина на-на-на
Сладкая причина ой-ой-ой
Встретиться с тобой
Se alguém tiver boas dicas, não hesite em me presentear.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Choque Cultural I

Minhas primeiras lembranças dos estudos que fiz sobre a Rússia revelam o Socialismo como uma alternativa atraente ao Capitalismo. Daí que minha professora de História pela manhã me amava pelo simples fato de, às tardes, eu ser o melhor aluno da sua turna extra-classe de inglês (!), o que superava o fato de eu ser o pior no turno da manhã.
Sorte minha ter nascido e crescido de encontro com a revolução digital/virtual/whatever. Viva a dobradinha Google e Wikipedia. E viva as páginas com referência e trancadas contra vandalismo! Hoje eu já entendo melhor o que foi a Era Czarista, que Napoleão não morreu durante a Batalha de Waterloo, que Socialismo e Capitalismo são primos que se pegam, tipo Lingüística e Gramática Normativa.
Mas para entender certas coisas, só amalgamando contatos cosmopolitas mesmo. Uma dinâmica dicotômica ao mesmo tempo estusiasmante e broxante. Meu professor de russo me avisou para eu não proferir "привет" (algo como /'privyet/, "oi" em russo) com o tradicional sorrisinho amarelo na tentativa de ser simpático; é falta de educação, pode parecer deboche. Pelo visto o português (principalmente o do Brasil) tem mais mecanismos para se ser babaca do que o russo. Um outro amigo, que nunca esteve na Rússia mas que é bem viajado, me garantiu que eu voltarei para o Brasil num caixote de madeira da minha altura, pronto para ser enterrado; ele acredita na inferioridade de pessoas com a minha cor de pele. Uma dentre as mais de cento e cacetadas de primas que eu coleciono me zombou dizendo que se eu voltar com um Lada (aquele modelo fracassado de carro produzido pelos russos) já estou no lucro - isso caso a KGB (ela não sabia que agora os mafiosos são a FSB) não me vete.
Nesse meio tempo recebi um e-mail da minha manager russa com links para vídeos no YouTube, com trainees contando suas experiências enquanto estiveram nas terras "de" Dmitri Medvedev. Assim que assisti os vídeos, entrei em contato. Logo recebi a resposta e fiquei feliz com a confirmação de que nós brasileiros somos muito bem recebidos lá. Mesmo que tendo que usar ceroulas e muitas luvas e sobretudo, confirmaram que minha recepção será regada com a medida certa (ou errada) de vodca. Parei de ler aí, eu quero pensar no meu primeiro porre. Este certamente renderá um belo post!
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Sobre Decisões
Tentarei focar na Rússia, mas vez ou outra certamente escorregarei na minha saudade de outras caras. Mas eu não tenho que dar desculpas do que vou escrever, tenho que me preocupar em escrever bem e escolher fotos bonitas. Uma ida a Mar de Espanha pode ser muito mais interessante do que minha viagem à Rússia; isso depende da minha inspiração no momento da interlocução.
Tenho certeza da impopularidade deste tímido veículo diante da Santa Trindade virtual: Orkut + Fotolog + MSN (e seu pseudópode candidato a provável quarto elemento, Twitter). Mesmo assim, honro o gênero hipertextual com o qual quero lidar e aqui está o início de uma coletânea que eu não sei quanto tempo pode durar, nem de quantas postagens se sustentará. Sustentará?
Kind regards.

